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Encíclica do Novo Humanismo

Publicado em 21/07/2015 por Juliano Abe

O papa Francisco publicou, no domingo de Pentecostes, a Carta Encíclica Laudato Si’. A publicação foi lida e interpretada pelo mundo inteiro como uma Encíclica Verde, tamanha a preocupação que o pontífice dedicou à preservação do meio ambiente.

Mas se analisarmos mais minuciosamente, veremos que a manifestação do papa é, na realidade, uma carta de fundamentação antropológica e humanista, ficando bem clara a relação entre a crise ecológica e financeira que vivemos com a filosofia demasiadamente antropocentrista que cresce cada vez mais em tempos contemporâneos.

O que o papa Francisco prega é que todos nós sejamos mais do que solidários ao ambiente em que vivemos. Precisamos tornar os problemas mundiais como nossos problemas individuais. Por isso, vejo na Carta Encíclica uma dura crítica ao sistema capitalista, no qual passamos a valorizar os bens de consumo e não mais os valores e bons princípios.

No texto, o pontífice traz uma positiva reflexão: Que tipo de mundo queremos deixar às crianças? Com que finalidade viemos a este mundo? Para que trabalhamos e lutamos? Obviamente temos que nos preocupar com as gerações futuras, mas precisamos saber que é a nossa própria dignidade que está em jogo. E ignorar os problemas não é a solução, uma vez que os sintomas estão aí, evidentes e nítidos, nos fazendo lembrar a todo o momento da nossa responsabilidade com o mundo em que vivemos.

Assim, vejo com enorme satisfação a Carta assinada pelo papa Francisco. Quando a Igreja e as instituições religiosas começam a se posicionar sobre a sustentabilidade do planeta, acredito que mais cidadãos se tornam sensíveis ao tema. Ao sinalizar que cada um deve olhar menos para si e mais para os outros e para o seu redor, fica evidente o valor da coletividade.

É chegada a hora de quebrarmos alguns paradigmas, como por exemplo achar que o ser humano controla o planeta em que vive. O momento é propício para que nos enxerguemos como parte, uma pequena fração apenas, de um todo que é incontestavelmente maior e mais complexo. Se cada um estiver disposto a somar com o próximo para deixar o planeta mais habitável, tenho certeza de que nossos filhos e netos agradecerão.

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