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Pode vir quente que o mundo está fervendo

Publicado em 28/01/2015 por Juliano Abe

Temperatura da Terra em 2014 foi a mais quente já registrada. Aquecimento global gera aumento de temperatura dos oceanos. Vendas de ventiladores e aparelhos de ar condicionado batem recorde. Tempestade de alguns minutos alaga a cidade de São Paulo.

São estas, mais ou menos, as manchetes de alguns jornais dos últimos dias. A realidade é o que mundo ferve, e o dia a dia de cada um de nós vem escaldando-nos com tanto calor.

Quem diria que São Paulo já foi a Terra da garoa e o Rio de 40 graus? Agora só vejo São Paulo com tempestades decorrentes do fluxo de calor aqui do chão com o frio lá de cima. E o Rio? Fernandinha logo, logo comporá uma nova música com Rio 50 graus, cidade maravilha, território da beleza e do calor.

Eu sou de uma cidadezinha. Modo de falar. Pois Mogi das Cruzes já tem mais de 400 mil Mogianos. Entretanto, muitos dos novos mogianos nunca viram o clima agradável de Mogi há 20 anos. Algum mogiano da nova geração já ouviu falar da palavra geada? Pois é ... lembro-me que quando criança, meu pai acordava de madrugada, tinha dificuldade de fazer o carro pegar, pois naquela época os carros ainda não tinham injeção eletrônica, e se dirigia para a roça com um único objetivo em mente: pôr fogo em barris de latão. A roça ficava onde hoje abriga um dos maiores condomínios da cidade, o complexo Aruã, mas que no passado já teve em suas terras, ao invés de casas, muitas batatas. A propósito, já ia me esquecendo, o fogo nos barris de latão serviam para evitar que a geada comprometesse a plantação da batata nos frios de inverno que a nossa cidade já teve.

Realmente está ficando quente e não é apenas frescura, com o perdão do trocadilho, da comodidade da vida urbana. Acho que o primeiro carro com ar condicionado que a nossa família foi ter era um Vectra 1997. E eu, nos meus 36 anos, o primeiro carro que comprei com ar condicionado foi um Astra 2005. Ou seja, há dez anos, ar condicionado em carro nem era um item tão importante como é hoje. E vou mais além, até 2009, já tinha trabalhado em pelo menos 5 empresas diferentes, e somente em uma delas havia ar condicionado na sala.

Certamente você irá me perguntar: mas não fazia falta? Fazia sim, mas não tanto como hoje em dia.
Até sob as sombras das poucas árvores urbanas que restam está quente. Está difícil de dar aquela cochilada depois do almoço nas praças públicas e sob a cobertura vegetal. O verão Mogiano virou um verão Europeu.

Situações climáticas extremas sempre trazem inúmeros prejuízos. E nós brasileiros sempre nos gabamos de experimentar um dos climas mais estáveis do planeta ao longo do ano. Essa situação de comodidade trouxe consigo a acomodação, pois com verões de calor plenamente suportáveis e invernos não tão rigorosos, até mesmo o nosso guarda roupas não precisava de grandes investimentos, afinal a mesma roupa que usávamos no inverno, dava para usar no verão.

Nossas edificações residenciais por outro lado não precisam suportar, por exemplo, o peso da neve ao longo do inverno, e também, no passado não víamos a necessidade de pensar em sistemas de cafelação ou condicionamento de ar em nossos lares. Enfim, as coisas eram mais tranquilas num passado não tão distante.

Mas parece que as coisas estão mudando. Mas calma. Não será de um ano para o outro que teremos mudanças drásticas no clima. Isso sempre leva um tempo, mas também leva tempo sairmos do estado de acomodação, de inércia, para partirmos para ação, pois não estamos acostumados a pensar em ações a longo prazo no Brasil. Estamos atrasados na adoção de planejamentos urbanos sustentáveis, no uso e reuso de matrizes energéticas, na mudança de paradigma quando pensamos em deslocamento e mobilidade urbana e por aí vai.

Se já temos dificuldade de pensar e planejar normalmente, imagine só com um solzão de quase 40 graus o quanto mais difícil é realizar essas atividades.

Para finalizar. Em 2012, às vésperas da Conferência Mundial da ONU, a Rio Mais 20, promovi em parceria com a Universidade Braz Cubas um Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Tivemos o prazer de ouvir uma palestra com Eduardo Viola, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e um dos maiores especialistas em negociações climáticas do país. Ele que conduziria um dos painéis na Rio Mais 20 e já naquela época não demonstrava grande entusiasmo em relação às definições quanto a mudança de atitude por parte dos países, em especial, dos desenvolvidos no tocante à luta contra as mudanças climáticas.

Recentemente, a COP-20 (20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima) realizada em Peru, com o objetivo de prepara um documento, consistente de um novo documento e metas para a ser assinado na COP-21 em Paris não trouxe grandes avanços. Negociações entre nações são difíceis de serem celebradas e mais ainda, concretizadas.
Daí a razão de nós fazermos a nossa parte. Pois é agindo localmente e pensando globalmente que trataremos de sair da inércia.

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