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Objetivos do Milênio: deixaremos para a última hora?

Publicado em 19/01/2015 por Juliano Abe

Há exatos 15 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu oito Objetivos do Milênio, metas a serem atingidas de forma a minimizar os maiores problemas mundiais. A proposta é que todos os países atingissem as oito diretrizes até setembro de 2015.

Pois bem. Estamos prestes a chegar ao final do prazo dado pela ONU e a pergunta que se faz é: quantos dos objetivos foram plenamente atingidos? Quantos deles ainda não estão nem perto de se tornarem realidade em alguns países, sobretudo os menos desenvolvidos?

Comecemos pelo número 1: Erradicar a miséria e a fome. Eis aqui uma problemática que é alvo frequente de debates de organizações sociais, dada a importância do tema. O que penso é que, embora o número de pessoas na linha de extrema pobreza venha sendo reduzido, ainda que lentamente, nos países desenvolvidos, as desigualdades do crescimento econômico faz com que o ritmo dessa erradicação seja mais lento em países mais pobres da América Latina, Caribe e África Subsaariana. Neste ponto, o Bolsa Família, programa do Governo Federal quer unificou os antigos Programas do Bolsa Gás e etc, expandiu sua rede de atendimento e foi imprescindível no Brasil, visando a erradicação da miséria e da fome.

O segundo ponto trata da oferta de Educação Básica de qualidade para todos. É evidente que, pelo menos no Brasil, houve progresso neste sentido, aumentando o número de crianças que frequentam a escola no Ensino Básico. Tomemos como exemplo nossa cidade de Mogi das Cruzes. A procura por vagas em creche e nas salas de Ensino Básico e Fundamental vem crescendo, de forma a denotar uma mudança de comportamento da sociedade mogiana: os pais e responsáveis estão cada vez mais cientes de que o ingresso escolar é algo a ser priorizado. No entanto, sabemos que os índices de mensuram a qualidade do ensino ainda demonstram deficiência no sistema, o que significa que falta muito para alcançarmos um patamar ideal.

O terceiro item versa sobre a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher. No Brasil, considerando os dados demográficos, a disparidade entre sexos diminuiu. NO mercado de trabalho, as mulheres preenchem 59,5% dos empregos que exigem diploma de Ensino Superior. No entanto, ainda considero que falta participação da mulher em campos como, por exemplo, a política. Falta representatividade feminina nos cargos eletivos.

Já o quarto item da lista de metas corresponde à redução da mortalidade infantil. Neste segmento, o Brasil conseguiu cumprir a meta com uma certa folga e até antes do prazo. A taxa de mortalidade infantil caiu de 62, em 1990, para 14 a cada mil nascidos, em 2012. Proporcionalmente, foi um dos países que mais reduziram a mortalidade infantil em todo o mundo. Cabe aqui o reconhecimento ao trabalho desempenhado pela médica Zilda Arns, com a Pastoral da Criança, que realiza visitas mensais às casas de baixa renda onde há crianças, para garantir que elas sejam bem nutridas e cuidadas.

No quinto objetivo, temos a melhoria da saúde materna, o Brasil reduziu a mortalidade das gestantes em 55% de 1990 a 2011. Mas ainda falta muito a ser alcançado, dado que a meta trata da redução em 75% da taxa de óbitos de parturientes. E muito além dos números, precisamos considerar que ainda é alta a taxa de cesarianas feitas no Brasil. Isso não é sinônimo de uma melhoria constante da saúde da mulher.

A sexta meta, referente ao combate à Aids, malária e outras doenças, não podemos dizer que foi totalmente cumprida pelo Brasil, haja visto que a taxa de detecção do HIV aumentou nos últimos anos. Grande parte pelo fato de que mais exames estão sendo feitos e, portanto, mais pacientes descobrem a doença.

O sétimo item, que fala sobre a garantida da sustentabilidade ambiental, precisa ser avaliado com mais minúcia. Embora o Brasil tenha reduzido as taxas de desmatamento nos biomas, ainda é grande o índice de moradias urbanas em moradia precária ainda somam 36,6%. E quando falamos de meio ambiente, não falamos somente de verde, mas também de itens igualmente importantes, como o saneamento básico, que precisa ser garantido à população de maneira integral, sob o aspecto de saúde pública e também sob a ótica da preservação de cursos d’água.

Por fim, a oitava meta aponta a necessidade de parcerias no cenário internacional para diminuição de desigualdades. Em âmbito global, diminuiu a cooperação dos países ricos com as nações em desenvolvimento. Em períodos de crises e dificuldades econômicas, os países focam suas atenções para o cenário interno, deixando as relações diplomáticas para segundo plano.
Com todas as metas apenas parcialmente cumpridas, podemos dizer que avanços precisam ser feitos. Para variar, deixamos para a última hora o cumprimento dos objetivos, sendo impossível concretizar todas as metas em apenas poucos meses, posto que elas implicam em trabalhos de médio e longo prazo.

Ainda assim, houve avanços que precisam ser comemorados. Mas não a ponto de dizer que os problemas foram solucionados. É hora de traçar, mais uma vez, metas para os próximos anos, para que a solução definitiva dos objetivos nunca deixe de ser perseguida.

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